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sábado, 5 de maio de 2012

sábado, 26 de novembro de 2011

EMERGÊNCIA

Eis que estão em um turbilhão de acidentados, em meio a um sábado à noite, chovendo torrencialmente, pessoas gritando, o caos na Terra. Mas o que querem essas pessoas? Por que o ocorrido? Todos estão à procura de algo em comum, mas o que? Uma somente ideologia: A cura!

Assim se mostram aqueles que sofrem da emergência e seus pilares, a dor, o medo e a ansiedade. Nao há distinção de etnia, qualidade político-social, condição financeira, todos se rendem à condição de seres humanos que necessitam de ajuda. Isso traz à tona a questão da igualdade da medicina, onde todos são ordinariamente mortais perante o funcionamento orgânico não homeostático.

´´Não me deixe morrer``. Esse excerto, tipicamente proferido por aqueles desguarnecidos que sentem a baixa iminente, toca a questão religiosa ao extremo, onde profissionais de saude que se prestam a auxiliar se tornam embalsamados por norte divino que o faz no ámago da sua essência. Como ao longo de toda a vida, as pessoas, até nas situações mais imprevisíveis, procuram ter garantias que não são, muitas das vezes, ponderáveis ou aceitáveis.

Ser um médico de emergência... Lutar contra causas improváveis, lidar com situações inacreditáveis, esquivar-se de vieses irreparáveis. Eis que não somos fortes como um buraco negro para abraçar o planeta em totalidade, mas podemos tentá-lo com os coração e córtex maiores do universo, a sensibilidade. Nunca, ao nascermos pelos mesmos meios que a natureza sugere que façamos, imaginaríamos suplantar o déficit que mantêm os indivíduos em si, a saúde. E ainda não temos provas de que seja possível, mas nos alimentamos de hipóteses de inexeqüível método científico. Mergulhamos em uma alienação ideológica que nos suscita a coragem e a ousadia de desafiar qualquer previsão racional da vida mundana.

Pacientes em insuficiência respiratória e parada cardíaca, politraumatizados, esfaqueados, porém todos, sem exceção, com um escopo, o de tornar algo que lhes foi concedido um contexto melhor. Não se importa com os meios que serão a conduta, mas a cura deve dar sua contribuição, deve ser sua bandeira ideológica, seja através da doença ou da aniquilação dela, enfim chegar-se-á ao tão desejado bem-estar espiritual.

Tudo é claro, não há luz, somente aquela em que se apóia a esperança.